V de Vingança, E de Estúpida
Outro dia falava com uma amiga sobre o amor e o sofrimento. Ela me contava sobre um cara que ela namorara aos quinze, dezesseis anos. Ele havia sido seu primeiro amor, seu primeiro homem e, conseqüentemente se primeiro “broken heart”. Até aí nada de mais. Todo mundo teve um desses: afinal, seu coração só se parte de verdade com o seu primeiro amor , o resto é só ensaio.
Talvez em decorrência desse primeiro pé na bunda, ela decidiu que de agora para frente, o pé na bunda seria sempre o dela. Jamais outro homem a faria sofrer por abandono.
Até que um dia, depois muitas voltas, o mundo fez com que seus caminhos se cruzassem novamente. E então eles resolveram passar a limpo aquela velha história. Quando começou, era algo pensado: “eu só vou dar linha pra depois abandona-lo”. Vingança.... dizem que é um prato bom quando comido frio.
Mas certas pessoas não tem vocação para vingança. Para se vingar de alguém é necessário mais que um plano, é necessário talento. Aí me lembrei de mim mesma: eu também já tive o meu coração partido inúmeras vezes, e também já planejei mil vinganças. Já escrevi mentalmente diálogos dignos de Oscar, nos quais eu saía por cima, linda e loura. Já invadi orkut, emails, celulares, já quebrei todos os meus princípios de ética...e nunca me vinguei. Depois de muitos anos cheguei a conclusão de que algumas pessoas apenas não conseguem se vingar. Elas falham em algum ponto do caminho, de uma maneira inexplicável e só conseguem se fazer passar por idiotas. Eu sou uma delas...
É por isso que quando vi minha amiga descendo por essa estrada, meu instinto foi dizer “não, não vá, pare, volte, esqueça, não pule!”. Mas parece que alguns caras tem quase que um campo gravitacional que nos envolve e sempre acaba nos levando a fazer besteira. Será que são os caras, ou somos nós? Só sei que vi minha amiga falando em vingança, e depois falando em amor, e até quis consolá-la, mas me faltaram as palavras certas e acabei sendo a mesma bitch pouco diplomática de sempre... Eu só queria dizer que já estive lá, que já me envolvi com alguém por vingança e acabei só magoando a mim mesma. É difícil contar a moral sem contar a história.
Existem sempre dois caminhos: o perdão ou a vingança. No entanto, nem sempre é uma questão de escolha. Tem muita gente por aí como eu que escolhe se vingar e acaba dando um tiro no pé. Outros escolhem perdoar e simplesmente não conseguem. Por que a vida não pode ser feita apenas de personagens maniqueístas?
