blog de contos, ensaios, poesias, meus e de outros

Sunday, August 17, 2008

V de Vingança, E de Estúpida

Outro dia falava com uma amiga sobre o amor e o sofrimento. Ela me contava sobre um cara que ela namorara aos quinze, dezesseis anos. Ele havia sido seu primeiro amor, seu primeiro homem e, conseqüentemente se primeiro “broken heart”. Até aí nada de mais. Todo mundo teve um desses: afinal, seu coração só se parte de verdade com o seu primeiro amor , o resto é só ensaio.
Talvez em decorrência desse primeiro pé na bunda, ela decidiu que de agora para frente, o pé na bunda seria sempre o dela. Jamais outro homem a faria sofrer por abandono.
Até que um dia, depois muitas voltas, o mundo fez com que seus caminhos se cruzassem novamente. E então eles resolveram passar a limpo aquela velha história. Quando começou, era algo pensado: “eu só vou dar linha pra depois abandona-lo”. Vingança.... dizem que é um prato bom quando comido frio.
Mas certas pessoas não tem vocação para vingança. Para se vingar de alguém é necessário mais que um plano, é necessário talento. Aí me lembrei de mim mesma: eu também já tive o meu coração partido inúmeras vezes, e também já planejei mil vinganças. Já escrevi mentalmente diálogos dignos de Oscar, nos quais eu saía por cima, linda e loura. Já invadi orkut, emails, celulares, já quebrei todos os meus princípios de ética...e nunca me vinguei. Depois de muitos anos cheguei a conclusão de que algumas pessoas apenas não conseguem se vingar. Elas falham em algum ponto do caminho, de uma maneira inexplicável e só conseguem se fazer passar por idiotas. Eu sou uma delas...
É por isso que quando vi minha amiga descendo por essa estrada, meu instinto foi dizer “não, não vá, pare, volte, esqueça, não pule!”. Mas parece que alguns caras tem quase que um campo gravitacional que nos envolve e sempre acaba nos levando a fazer besteira. Será que são os caras, ou somos nós? Só sei que vi minha amiga falando em vingança, e depois falando em amor, e até quis consolá-la, mas me faltaram as palavras certas e acabei sendo a mesma bitch pouco diplomática de sempre... Eu só queria dizer que já estive lá, que já me envolvi com alguém por vingança e acabei só magoando a mim mesma. É difícil contar a moral sem contar a história.
Existem sempre dois caminhos: o perdão ou a vingança. No entanto, nem sempre é uma questão de escolha. Tem muita gente por aí como eu que escolhe se vingar e acaba dando um tiro no pé. Outros escolhem perdoar e simplesmente não conseguem. Por que a vida não pode ser feita apenas de personagens maniqueístas?

Friday, January 04, 2008

long time no see.........................................
Ano novo, vida nova. Por que uma mera mudança de dia no calendário tem tanta força?
Que diabos nós tanto queremos que nos aconteça de especial quando entra um ano novo?Afinal, matemáticamente falando, o ano novo de cada um é o dia do próprio aniversário.
Mesmo assim, deposita-se tanta esperança nesta virada, como se de da noite para o dia deixassemos de ser confusos, fodidos, traumatizados, apáticos... como se uma força viesse do além e pudesse transformar nossas vidas em algo menos sem sem graça.

Se há realmente essa força, deixe-me lhe fazer um pedido: que eu seja menos auto destrutiva no ano que se inicia.

Friday, December 29, 2006

Salvem-me, salvem-me...! Ando lendo muito Nelson Rodrigues! Ou me mandem logo para um prostíbulo interiorano que é o meu lugar...

Wednesday, November 01, 2006

nostalgia

Let's dance in style, lets dance for a while
Heaven can wait we're only watching the skies
Hoping for the best but expecting the worst
Are you going to drop the bomb or not?
Let us die young or let us live forever
We don't have the power but we never say never
Sitting in a sandpit, life is a short trip
The music's for the sad men
Can you imagine when this race is won
Turn our golden faces into the sun
Praising our leaders we're getting in tune
The music's played by the mad men
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever? Forever young
Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
why don't they stay young
It's so hard to get old without a cause
I don't want to perish like a fading horse
Youth's like diamonds in the sun
and diamonds are forever
So many adventures couldn't happen today
So many songs we forgot to play
So many dreams swinging out of the blue
We let them come true
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever, forever and ever
Forever young, I want to be forever young
do you really want to live forever?
forever

bridges

When you're weary, feeling small,
When tears are in your eyes, I will dry them all;
I'm on your side. When times get rough
And friends just can't be found,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
When you're down and out,
When you're on the street,
When evening falls so hard
I will comfort you.
I'll take your part.
When darkness comes
And pain is all around,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Sail on silvergirl,
Sail on by.
Your time has come to shine.
All your dreams are on their way.
See how they shine.
If you need a friend
I'm sailing right behind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.

Friday, March 10, 2006

Poderia seu olhar ser resistível?
Mesmo quando está longe, tangendo ilusões que não chegarei a sentir?
Tecendo palavras que me seduzirão em silencio
Quando eu encontra-las em um mural poético qualquer?
Fugindo do meu como um gato assustado?

A chuva bate na minha janela e são cinco da manhã
O céu ainda negro, como o teu olhar negro
Eu também não resisto à noite e quero me molhar

Eu queria poder partilhar você, descobrir você, desbravar você.
mas eu sou tão pouco...

A verdade é que eu gosto de Copacabana
Com suas putas e travestis, e impertinentes buzinas de carros
Com seus ambulantes que ouvem funk
E suas repetidas e intermiáveis lanchonetes.
Os velhinhos (que são milhares, meu Deus, milhares)
Guardam em seus olhares a doçura de um tempo
Em que Copacabana era só Bossa Nova
E é impossível nao se ouvir o Tom tocar
Quando meus olhos tocam aquela arquitetura velha e mofada
Aqueles prédios com suas entradas solenes
Seus portões rebuscados, seus entalhes decó
É impossível não reler nas paisagens e nos passantes
As velhas histórias de Nelson Rodrigues
Sobre moças despudoradas e rapazes desesperados
Copacabana envelhece mas guarda consigo o desespero dos moços
O despudor das moças
O acreditar dos puros (poucos, muito poucos)

A noite chega e acende-se Copacabana
Com seus hotéis ilusórios para gringos
Com seus quiosques, parada obrigatória para a grandes massa de caminhantes
Que tentam salvar suas artérias mas nao suas almas
Com seus restaurantes e bares
Com sua feira que brota espontaneoamente
em meio a paginação das ondas de Burle Max.
De posto em posto acende-se Copacabana.

Até trombar com as figuras modernas, metálicas e frias de Oscar.
Aí sabemos que chegamos no Leme.

Tuesday, July 05, 2005

nem sempre as pessoas são o que se espera delas
e isso seria muito bom,
se na maioria das vezes não fosse trágico

Monday, June 27, 2005

Mais uma de Clarisse

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."[1]
[1] LISPECTOR, Clarice.