blog de contos, ensaios, poesias, meus e de outros

Friday, March 10, 2006

Poderia seu olhar ser resistível?
Mesmo quando está longe, tangendo ilusões que não chegarei a sentir?
Tecendo palavras que me seduzirão em silencio
Quando eu encontra-las em um mural poético qualquer?
Fugindo do meu como um gato assustado?

A chuva bate na minha janela e são cinco da manhã
O céu ainda negro, como o teu olhar negro
Eu também não resisto à noite e quero me molhar

Eu queria poder partilhar você, descobrir você, desbravar você.
mas eu sou tão pouco...

A verdade é que eu gosto de Copacabana
Com suas putas e travestis, e impertinentes buzinas de carros
Com seus ambulantes que ouvem funk
E suas repetidas e intermiáveis lanchonetes.
Os velhinhos (que são milhares, meu Deus, milhares)
Guardam em seus olhares a doçura de um tempo
Em que Copacabana era só Bossa Nova
E é impossível nao se ouvir o Tom tocar
Quando meus olhos tocam aquela arquitetura velha e mofada
Aqueles prédios com suas entradas solenes
Seus portões rebuscados, seus entalhes decó
É impossível não reler nas paisagens e nos passantes
As velhas histórias de Nelson Rodrigues
Sobre moças despudoradas e rapazes desesperados
Copacabana envelhece mas guarda consigo o desespero dos moços
O despudor das moças
O acreditar dos puros (poucos, muito poucos)

A noite chega e acende-se Copacabana
Com seus hotéis ilusórios para gringos
Com seus quiosques, parada obrigatória para a grandes massa de caminhantes
Que tentam salvar suas artérias mas nao suas almas
Com seus restaurantes e bares
Com sua feira que brota espontaneoamente
em meio a paginação das ondas de Burle Max.
De posto em posto acende-se Copacabana.

Até trombar com as figuras modernas, metálicas e frias de Oscar.
Aí sabemos que chegamos no Leme.