A verdade é que eu gosto de Copacabana
Com suas putas e travestis, e impertinentes buzinas de carros
Com seus ambulantes que ouvem funk
E suas repetidas e intermiáveis lanchonetes.
Os velhinhos (que são milhares, meu Deus, milhares)
Guardam em seus olhares a doçura de um tempo
Em que Copacabana era só Bossa Nova
E é impossível nao se ouvir o Tom tocar
Quando meus olhos tocam aquela arquitetura velha e mofada
Aqueles prédios com suas entradas solenes
Seus portões rebuscados, seus entalhes decó
É impossível não reler nas paisagens e nos passantes
As velhas histórias de Nelson Rodrigues
Sobre moças despudoradas e rapazes desesperados
Copacabana envelhece mas guarda consigo o desespero dos moços
O despudor das moças
O acreditar dos puros (poucos, muito poucos)
A noite chega e acende-se Copacabana
Com seus hotéis ilusórios para gringos
Com seus quiosques, parada obrigatória para a grandes massa de caminhantes
Que tentam salvar suas artérias mas nao suas almas
Com seus restaurantes e bares
Com sua feira que brota espontaneoamente
em meio a paginação das ondas de Burle Max.
De posto em posto acende-se Copacabana.
Até trombar com as figuras modernas, metálicas e frias de Oscar.
Aí sabemos que chegamos no Leme.

1 Comments:
que linda essa, trish!
11:28 AM
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